GAFFFF 2026 reuniu líderes globais para debater o futuro sustentável

GAFFFF 2026 debateu segurança alimentar interna, agricultura sustentável, preservação ambiental e os desafios da produção de alimentos no Brasil diante da crise climática

GAFFFF 2026 reuniu líderes globais para debater o futuro sustentável

A terceira edição do Global Agribusiness Festival (GAFFFF 2026), realizada pela DATAGRO no Nubank Parque, em São Paulo, nos dias 1º e 2 de outubro, reuniu autoridades e especialistas para debater os desafios do agronegócio, a infraestrutura brasileira, a segurança alimentar interna e a transição energética.

Na cerimônia de abertura, Plínio Nastari, presidente da DATAGRO, destacou a importância da ciência, da pesquisa e da colaboração para o desenvolvimento da agricultura brasileira. O presidente enfatizou que a capacidade produtiva, sanitária e sustentável do país deve contribuir para garantir a segurança alimentar e energética global.

A dimensão socioambiental do setor foi abordada por Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda e ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Robinson alertou que grandes volumes de exportação nem sempre garantem segurança alimentar interna, destacando uma questão fundamental: a produção agrícola de um país não significa, necessariamente, que sua própria população tenha acesso adequado aos alimentos. Também chamou a atenção para a vulnerabilidade das cadeias globais diante dos choques climáticos. A especialista defendeu o envolvimento das comunidades locais no enfrentamento da crise climática e da degradação da natureza.

Divulgacao

As discussões também abordaram os desafios da infraestrutura agrícola brasileira. Especialistas apontaram que o custo do transporte de grãos no Brasil chega a ser até 48% superior ao dos Estados Unidos, devido à dependência do transporte rodoviário. Outro problema destacado foi a capacidade de armazenagem nacional, que atende a apenas 62% da produção.

Em painel sobre biotecnologia, representantes do Brasil, da Argentina e dos Estados Unidos discutiram a importância de comunicar os benefícios concretos das novas tecnologias para a sociedade.

O debate sobre o Código Florestal destacou a legislação ambiental brasileira, que exige a preservação de 33,2% do território em propriedades privadas. Também foi discutida a aplicação do princípio do "protetor-recebedor", que busca valorizar quem preserva a natureza.

A transição energética esteve entre os temas da programação, com discussões sobre o avanço dos biocombustíveis no Brasil e suas aplicações em combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), transporte marítimo e biometano.

Como desdobramento do evento, será elaborado o Consenso do Agronegócio, documento que reunirá as principais conclusões apresentadas nos painéis.