Se você também virou fã de Thor, Odin e Loki depois de vê-los nas telas, com certeza sua história original vai te surpreender!
Talvez o melhor exemplo de popularização da mitologia nórdica na história seja a Marvel, que nos trouxe desde um Loki com seu próprio caminho de rendição a um Thor apaixonado pela Terra (tanto que logo desenvolve a nossa barriga de litrão favorita).

O sucesso é óbvio: três filmes só com as aventuras do deus do trovão e duas temporadas explorando as várias versões de Loki no multiverso, além de aparições constantes dos dois com os Vingadores.

Porém aqui vão alguns exemplos de liberdade poética que essas produções tiveram com os mitos originais:
As histórias originais:
Acima de tudo, Thor e Loki não são irmãos! Nem de sangue, nem adotivos, nem nada. Na verdade, Loki fez um pacto de sangue que o tornou irmão de... Odin!
Mas sim, tecnicamente Loki não é asgardiano, porque ele é filho de uma gigante. Isso mesmo, tudo o que sabemos sobre a origem de Loki é que sua mãe, Laufey, foi uma gigante do gelo. Ou seja, não tem pai nenhum na história, como nos filmes.
Além disso, o pacto de sangue só aconteceu porque os deuses se beneficiavam da sagacidade e da ousadia de Loki, na mesma medida em que essas lhes causavam problemas. E assim surgiu a maior parte das histórias nórdicas que conhecemos hoje.
Geralmente, vemos Loki e Thor juntos nessas aventuras, representando dois opostos que se complementam. Loki é astuto, de cabelos negros, enquanto Thor é o mais forte dos deuses, porém impaciente e sem inteligência.
A maior diferença entre a caracterização desses dois nos filmes e nos mitos originais é que Thor não é loiro, como na Marvel, ou moreno, como na nova temporada de Sandman, mas sim possui longos cabelos e barba ruiva. Ele também não é necessariamente bondoso, assim como quase nenhum deus nórdico é.

Ao mesmo tempo que Loki adora pregar peças, Thor se diverte com elas desde que ele não seja o seu alvo. Acima de tudo, Thor está preocupado com seu próprio bem-estar.
Até quando Loki rouba os cabelos dourados de sua esposa, Sif, símbolo da fertilidade e matrimônio, Thor exige reparações não só porque Sif é afrontada, mas também porque o deus do trovão não gosta dela careca. (Atenção para "dourados": sim, Sif não é uma morena guerreira como nos filmes da Marvel.)

E é por causa dessa "brincadeira" que Loki consegue cabelos de ouro para Sif e outros tesouros para os deuses, como o próprio Mjolnir. Também é graças às artimanhas de Loki que, em outro momento, os deuses ficam mais protegidos contra os gigantes, com a construção de um muro ao redor de sua casa.
Nessa mesma aventura, Loki é forçado a se transformar em uma égua, o que termina com o deus dando à luz (!) ao cavalo de oito patas de Odin, Sleipnir. O poder de metamorfose de Loki é talvez o favorito das telas, como vemos na série de mesmo nome da Disney e no livro Deuses Americanos, de Neil Gaiman, que também conta com uma adaptação na Amazon Prime.
Com o tempo, Loki se torna cada vez mais ressentido com os deuses, até realizar sua última travessura, que culmina no seu aprisionamento debaixo da terra. Dali, ele só deve sair no fim dos tempos, o Ragnarok, para combater ao lado dos gigantes e de seus filhos sobreviventes contra os deuses.
Como sabemos de tudo isso?
Ao contrário de outras mitologias, como a grega, não nos sobraram muitos relatos dos mitos que eram contados pelos vikings e outras populações do noroeste da Europa.
Só chegaram até nós duas coleções de histórias do século XIII: a Edda Poética, com trinta poemas de autores desconhecidos, e a Edda em Prosa, do historiador, poeta e político Snorri Sturluson.
E são desses manuscritos que nasceram inúmeras adaptações e releituras até os dias modernos. Uma delas é o livro Mitologia Nórdica, de Neil Gaiman, onde você pode ler mais sobre todas as histórias originais que mencionamos aqui. E depois vai lá no Instagram do Nerdweek nos contar qual versão é a sua favorita!

P.s.: Se você gosta de Neil Gaiman, não deixe de conferir nossa matéria sobre Coraline.