Bright: mágica e preconceito

Análise

Estreou hoje, dia 22, o novo filme original Netflix, Bright, estrelado por Will Smith. Apesar de quando se tem muita campanha publicitária em cima de coisas, que geralmente espero algo bem aquém do que se propõe, só que o que se vêem Birght vai muito além do que as propagandas e trailers mostraram.

Pense você, leitor, caso a nossa realidade atual fosse povoada não só por seres humanos, mas Orcs, Elfos, criaturas mágicas. Talvez você estivesse esperando que tudo isso fosse harmônico, pacífico, igual costuma ser em algumas mesas de RPG. Algumas outras nem tanto, mas fato é que: insira Orcs em uma sociedade preenchida com ódio e preconceito. O resultado não poderia ter sido melhor.

O filme tem roteiro de Max Landis (Dirk Gently’s Holistic Detective Agency) e conta a história do oficial Daryl Warg (Smith), com o seu parceiro Orc Nicholas Jacoby (Joel Edgerton). Warg é um oficial mediano, que apenas supre as necessidades do dia-a-dia. Tudo foi um pouco mais a baixo quando, em serviço, ele sofre um atentado, levando um tiro de um Orc. Seu parceiro Jacoby tenta perseguir quem atirou nele, mas não consegue prendê-lo. A história se inicia assim, com Ward tendo muitos pesadelos com esse dia, e questionando não só sobre a lealdade de Jacoby, mas sobre sua índole enquanto Orc.

Bright

Inserir os Orcs no gueto não só foi uma sacada genial, porque mesmo nos RPG’s os orcs não são vistos como boa gente, e isso demonstra o ponto chave do preconceito racial. No mundo de Bright, a cor em si não importa mais, o que importa é se você é humano ou não. E esse ponto do preconceito é muito tocante no filme, que sempre salienta isso e coloca situações as quais são muito comuns no dia-a-dia, só que ocorrendo com Orcs.

No que diz respeito a história, Ward e Jacoby recebem um chamado para interceptarem uma chamada em uma casa, e acabam descobrindo que existem muito mais coisas do que eles são capazes de imaginar. No início do filme temos uma vaga noção sobre o Senhor das Sombras,mas não muito bem quem o representa ou o que aconteceu, só artefatos. Bom, fato é, que eles encontram o grupo que gostaria de reviver esse cara aí bacana, gente fina e legal.

Logo em seguida, eles encontram Tikka (Lucy Fry), a qual eles não sabem muito bem qual sua procedência, só que ela é uma elfa, que contém um artefato que é cobiçado por essa facção que gostaria de reviver o cara lá das sombras.

Bright

Como não vou me delongar em spoilers, quero atentar para alguns fatos muito importantes nesse filme:

O uso de preconceito, racismo, tudo isso foi muito bem construído no filme, e as posições sociais, sejam dos Orcs, dos Elfos, faz com que demonstre que houve um grande brainstorm sobre como isso tudo iria funcionar. Mais forte do que fazer a história funcionar, era como manter a consistência desse mundo em uma Los Angeles cheia de Orcs e Elfos, sendo eles marginalizados e uns muito esnobes e em cargos de alto escalão na sociedade.

Nesse meio todo, como inserir a corporação da Polícia? A polícia nesse mundo, não é muito diferente da nossa, corrupta, e principalmente, para a população, sem muita esperança de mudanças. O prato cheio para a construção do personagem clássico do padrão Noir. O bom do Noir é que o personagem ele pode ser mais próximo da realidade, do que aquele arquétipo de moço bom que só quer salvar tudo. Inclusive, em Noir, quando alguém é muito bom, ele se torna o bobo. Outro prato cheio para Bright mergulhar de cabeça.

Bright

Outro ponto que quero ressaltar é como o Punk, o Rap e o Trap são muito bem colocados na trilha sonora. São estilos fortes e com potencial. O mundo de Bright não é assim tão brilhante, (desculpa o trocadilho, foi mais forte que eu), e esses estilos demonstram claramente a força que possuem em transformação social. Mais um motivo pelo qual foi totalmente pertinente e bem colocado.

A conclusão não poderia ser a melhor: eu vi tantas propagandas e tanto hype em cima, que eu fiquei com medo de não gostar do filme. Mas o que de forma maravilhosa me surpreendeu foi como o filme foi muito melhor do que ele parecia. Bright é uma produção de peso e com uma carga social que não deve ser deixada de lado. Um bom filme para fechar o ano de 2017.

Matheus Bigogno
Estudante do curso superior de Jogos Digitais. Começou como estudante de Ciência da Computação, mas sempre soube que sua vida iria envolver jogos de alguma forma. Amante de quadrinhos, principalmente a linha da Vertigo, seriados, e filmes. Ama a cultura pop, nerd, e geek. Fã de um bom Rock Progressivo, ama bandas como Pink Floyd, Genesis, Rush e Jethro Tull. Escreve em blogs desde 2010, sempre gostou do formato e de tudo que envolve essa arte. Gosta de escrever sobre tudo: a vida, o Universo e tudo mais.
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