Não, o desafio da “Baleia Azul” não é um jogo

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Apesar de não ser uma novidade, o desafio da baleia azul se tornou viral nos meios de notícia nos últimos dias.

A Baleia Azul é um animal colossal e magnífico. Uma obra prima da natureza, que vive nas profundezas do oceano. Mesmo sendo um animal maravilhoso, ele está sumindo, caindo no abismo que é a extinção. Muita coisa pode se pensar e comparar, de maneira metafórica, a este belo animal. Talvez por isso o tenham escolhido como nome de um “jogo” tão cruel.

Ultimamente muita gente tem estado alarmada por conta do “desafio da baleia azul”. Algumas pessoas o chamam, erroneamente, de jogo. Mas isso não é um jogo. Nunca foi. Na verdade, pouco se sabe sobre o tal baleia azul. A corrente mais comum, e presente nas mídias, é de que este desafio surgiu na Russia em 2013. Outros acreditam que tudo não passava de um hoax (uma história falsa), que de tanto ser repetida acabou se tornando real.

O fato é que hoje muita gente esta dando atenção ao assunto. Muitos estão preocupados por seus filhos ou amigos. E muita gente está agindo de maneira errada perante tudo isso, procurando culpados no lugar de resolver as causas. A verdade que muitos não querem encarar é que o real problema não é o jogo ou desafio, mas sim a depressão. Uma pessoa com sua saúde mental em dia jamais cairia em tal armadilha. Inclusive essa é uma palavra melhor do que “jogo” para definir o baleia azul: Armadilha. Jogos existem para divertir e distrair. Muita gente encontra conforto para seus dilemas pessoais e problemas do dia-a-dia em jogos. O desafio da baleia azul definitivamente não é um jogo.

O desafio e quem o propõe, não atingem a qualquer um. As vítimas do desafio são jovens que estão passando por momentos difíceis ou que apresentam quadros de depressão (diagnosticados ou não). Essas pessoas, em geral, já não estão bem há muito tempo, mas não tem coragem de se abrir, ou não tem seu problema levado a sério. Infelizmente muita gente ainda acha que a depressão seja “frescura” ou facilmente curável com receitas mágicas e palavras felizes. A depressão é uma doença muito séria, e está em epidemia no mundo.

Mais importante do que se preocupar com tal desafio, é se preocupar com a as pessoas. É caro que é preocupante que tal coisa exista, e que existam adultos com mentes deturpadas o suficiente para orquestrar esse tipo de coisa. Mas se preocupar se o jogo pode ou não chegar a um amigo ou familiar não é o ponto. O que deve ser o foco é se seu familiar ou amigo está bem, como ele e sente e, o mais importante, se ele estiver com problemas, como você pode ajudar.

Uma pessoa com depressão pode, de certa forma, ser comparada a uma baleia azul. Assim como as baleias, as pessoas são incríveis, mas nem sempre conseguem ver isso, sobretudo quando se sentem só. Uma pessoa com depressão mergulha cada vez mais fundo num oceano de mágoa, culpa, ansiedade e solidão. Muitas vezes ninguém percebe o quão fundo esta pessoa está indo e aí pode acontecer dessa pessoa achar que o único caminho para sair do seu mar de problemas é a extinção. Uma pessoa que chega a esse ponto não age de maneira egoísta. Ela simplesmente está tão cega de sofrimento que acha que o único jeito dele acabar é esse. Ou pior, acham que o mundo seria um lugar melhor sem elas.

Com o lançamento de 13 Reasons Why muita gente começou a discutir temas como depressão e suicídio. Apesar de um pouco irresponsável, a série traz uma boa reflexão sobre motivos que podem levar um jovem a um quadro depressivo. A maioria deles, se a pessoa não receber a devida ajuda, podem se arrastar até a idade adulta. Para quem passa pelas situações, bullying, assédio, problemas familiares, nada disso é “frescura” ou “besteira”. São questões sérias, que muitas vezes acabam se somando a outras, formando uma bola de neve.

O que deve vir primeiro não é a preocupação com um possível desafio, mas sim o estado de saúde mental da pessoa. Converse, escute, demonstre interesse, se mostre disponível para ajudar. Esses passos são mais importantes que qualquer outra coisa. E aí, se a pessoa decidir se abrir, a ajude, não julgue. Incentive-a a procurar ajuda profissional. Não é vergonha alguma procurar um psicólogo ou psiquiatra. São médicos que vão ajudar no caminho até a cura, da mesma forma que um pneumologista ajudaria em caso de pneumonia.

Aceitar a depressão como um problema de saúde real e incapacitante, dar apoio e ouvir quem está passando por isso, respeitar e compreender os sentimentos de quem está passando por isso. Tudo isso são pequenos passos, fáceis para darmos, mas de extrema importância para quem está depressivo. Quem sabe, agindo assim, caminhemos para um mundo onde coisas como o desafio da baleia azul não existam.

Se você está passando por momentos difíceis, se acha que está em depressão, não se sinta só. Procure alguém de sua confiança que você possa conversar e se abrir. Ou até um desconhecido. Há muita gente querendo ajudar pessoas que estão se sentindo assim, como as desenvolvedoras do jogo Rainy Day. Se preferir falar com alguém desconhecido, sem se identificar, também pode entrar em contato com o CVV (Centro de Valorização da Vida). Eles podem ajudar de muitas formas. Ou procure um profissional da área, seja pessoalmente, seja virtualmente.

Aline Costa
Professora que flutua entre as Letras e a História, Maga em Azeroth a serviço da Aliança e na hora vagas curte um Hearthstone. Gosta muito de seriados e livros, e tem uma leve queda por literatura fantástica e épica.
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